Sen clasificar 18 Xan 2012 08:22 p.m.

A LÍNGUA INDÍGENA

Alá atrás umha nai e súa filha pequena forom o mercado de Carvalho para mercar peixe. A xureleira que lho vendeu, chamou-lhe  a atençóm a beleza da cativa e tamém que a nai lhe falara  galego a súa filha. «Ai mulher co bonitinha que é e fálas-lhe assi … pobrinha «.
O ouvir isso veume a cabeça algumha conversa que tivera  cum familiar meu que tinha estado emigrado num dos países do Amazonas. Cando lhe contava que meu pai tamém imigrante nessas terras, me falava dos nativos de alá que viviam na selva, de como nom precisavam de nada que nom lhe desse a natureza selvagem e po-los que eu sentia admiraçóm. Este familiar contestábame todo cheio de razóm, como eu pensava assi. Que nos tempos que vivíamos essa gente nom  podia viver dessa maneira. Que tinham que ponher  roupas, como a gente civilizada; que se tinham que ter umha casa, que as crianças tinham que ir a escola e ter televisóm; que tinham que aprender o espanhol e deixar de usar a sua língua …
«… umha televisóm para que?. E tamém umha  play-station e um cam de plástico que mexe e faga” ghuau”? .Que tenhem que hipotecar e vender os seus bosques  e recursos naturais o home branco para viver melhor?. Máis se eles som felizes assi. É a súa vida. E a súa língua … por que?. Em todo caso, teríamos nós que aprender a súa, que eles estám na terra deles.
El retorcia o fucinho e deciame «as chegar longe cas túas idéias»
É possível que a única semelhança que tem esta cativa bergantinhana com os nativos do Amazonas, é a língua indigena que mama da nai , da súa terra. 

… máis a xureleira nom se enganava. A pequena selvagem é bem linda.

(Para todo-los pequenos selvagens que diariamente dam alento a língua da nossa tribo, apesar de que o home branco lhes chame pobrinhos …)

Natureza 07 Dec 2011 10:36 p.m.

A PíNTEGA

Caem as folhas … chegam as primeiras choivas do outono e saem as píntegas. Saem sempre de noite, principalmente cando há umha humidade alta. Podem-se ver a partir de setembro até maio. Na Galiza temos duas subespécies de píntega comúm (Salamandra salamandra), que som a Gallaica e Bernardezi, máis as dúas subespécies dam-se na Laracha. É ovovípara, quer dizer que os ovos eclosionam dentro da fêmia (o que nom ocorre normalmente nos anfíbios) e depois paire as crias na auga.
  Secadra seja um dos animais mais odiados da nossa natureza. Di-se que quem a toca que pode morrer, que pode ficar cego … Tamém, atribúenselhe poderes, como a de apagar o lume. Falso!
As píntegas segregam umha substância que se chama taricatoxina, que em contato com as mucosas, feridas ou com os olhos pode produzir um picor, mas nunca a cegueira. É totalmente inofensiva. Se se toca deve-se lavar as mans, máis como cando se toca calquer erva ou substância química … antes de levar as mans à boca, nariz, olhos …
No que se di respeito as suas propriedades curativas, nom sei se a taricatoxina tem algumha propriedade de curar as doenças. Ouvim umha vez umha história de umha velha do lugar de Bocija, na Alta de Soandres, que espetaba as píntegas num pau e despois queimábaas. Gardava a cinza numha saquinha de tea para logo curar as doenças da pel.
A píntegas, um dos nossos animais mitificados paga como os outros anfíbios o preço do desaparecimento do seu hábitat, a poluiçom …. e umha tradiçóm que a culpa dum mal que nom fai.
Para moitos a única imagem é a de vê-las nas estradas esmagadas polas rodeiras dos veículos. Pena de destino para um animal inofensivo e moi fermoso.

Caióm &Património 29 Nov 2011 09:15 p.m.

MILHADOIROS- AMILHADOIROS- EM CAIÓM (II)

Já falamos aquì sobre um Milhadoiro (amilhadoiro) que desapareceu há algúns anos num valdio do lugar do Outeiro em Caióm. Esta meda de pedras estava em frente do que hoje é o depósito da auga para Caióm. Dim que as pedras aproveitounas um vizinho desse lugar para fazer um valo de pedra. Pedras que forom levadas até alá po-los romeiros quem sabe dende cando. Antes de seu desaparecimento, dis que do grande que era, as crianças custavas-lhes aganchar até o cumio. Era tal a cantidade de pedras que todas nom colheríam num camióm dos grandes. Nom era o único Milhadoiro da volta. Sabemos que na parroquia de Pastoriza, Arteijo tamém há um.
Seria bom tentar recuperar esta tradiçom hoje desaparecida e para a que nom se necessitaria umha grande cantidade de cartos e «despilfarros» a que estamos habituados e que tanto gostam aos políticos. Com pôr alá um letreiro de madeira indicando o lugar e explicar em que consistía a tradiçom, após a publicidade boca a boca por que é máis barato e melhor. Para conhecer um pouco máis desta tradiçom, «Coiro», um comentarista do blogue mándanos um trabalho inédito em que explica o porque de levar de ofrenda umha pedra:

« ¿De onde xorde ese costume popular, execrado polos escritores cristiáns antigos, pero firmemente adoptado polos romeiros, de botar unha pedra nun montón construido nun punto determinado?. Dende logo, dende o punto de vista cristián, non ten explicación, pero dende a perspectiva celta é tan lóxica que asusta: os guerreiros celtas camiñaban portando unha pedra, pero non unha pedra calquera, era a pedra que anunciaba a ofrenda ó rei (no caso de Irlanda) ou ó deus da guerra na súa faceta real (no caso da Galia de Xulio César); no Mundo Celta, os guerreiros son guiados ó combate singular[i] e ofrecen ó deus da guerra unha pedra[ii] e unha cabeza[iii]; os guerreiros celtas, unha vez rematada a batalla, colocaban no lugar da loita a súa pedra e a cabeza do seu enemigo; unha vez eliminado o costume de cortar cabezas, o que nos queda desta tradición guerreira e relixiosa é a pedra, que se amontoaba no lugar da batalla e constituía o que actualmente coñecemos como milladoiro.»

 

Património 15 Nov 2011 01:25 p.m.

SAMAÍN, SANTOS, GHAMUSTO…?


«Dichoso mês que começa por Santos e acaba por San Andrés«, deciao minha avoa.
Novembro pode ser o mês que mais nomes receba popularmente. Santos, Sam Martinho, Sam André … todos nomes cristiáns.
Ela, como moitos e moitas galegas celebrava o primeiro de novembro  rendendo lembrança aos mortos. Máis o que ela nom sabia era que essa tradiçom já era celebrada polo povo Galaico moito antes da chegada do cristianismo à Galiza. Este e outros  rituais-cultos pagáns chegarom aos nossos dias através do cristanismo, ou bem assí os conhecemos. Algumhas, como a de colocar cabaças nas veiras dos caminhos, que bem seguro podiam ser nabos antes da chegada destas do continente americano, tamém chegarom a nós, máis as agachadas do clero.
Um velho da parroquía de Torás, tem-me contado que cando eram cativos, punha as cabaças as veiras dos caminhos para meter medo a quem  passava por alí. Este ritual tamém era feito em Soutulho, nos cruzamentos de caminhos, mas nom com cabaças, se nom que eram feitos com olas velhas de barro, ás que os rapaces lhes faziam olhos, bocas e logo poñianlhe umha vela acesa dentro.
Novembro era cando os celtas celebravam o fim do ciclo anual. O começo de um novo ano.
Neste mês, tamém é tempo de castanhas, tempo de ghamustos (magustos). Ghamusto com toda certeza é o nome que deveria chamar-se na Galiza  a essa data e nom Samaín ou Halloween. Aínda que tenhamos as mesmas tradiçóns ou semelhantes a outros povos indo-europeios, nom temos porque colher os nomes que eles lhes dam, cando nós já temos os nossos.
Recomendo a leitura do artigo de José Manuel Barbosa, «A origem da tradiçom pagá dos Magustos, e do Halloween»

Natureza 25 Out 2011 04:56 p.m.

O GHAMUSTO

Chegou o outono e com el o tempo das castanhas. Tempo de ghamustos, tamém chamado magosto, magusto … em outras partes da Galiza. Máis na Laracha sempre se chamou assi, ghamusto.
  As primeiras que venhem som as de Sam Miguel (Miguelinhas). Despois, pouco a pouco venhem vindo as Bicudas, abrunhesas, carnizales, patudas … todas elas raças próprias das parroquias de Golmar, Coiro, Erboedo, Soutulho e Soandres. Já case nom hai castinheiros inxertados. Primeiro a parcelaria em Golmar e Soutulho. Despois viriam as plantaçòns de eucaliptos e pinheiros os que acabarom cos derradeiros soutos e com “a cultura da castanha” nas nossas terras.
A  castanha, que era um dos principais alimentos do povo antes da chegada da pataca. De feito aínda quedam lugares nos que lhe chamam castanhas as patacas.
Já nom se derrubam ou se petelam os ouriços. Já nom se enchem as caínças dos carros de ouriços. Nom se levam para as eiras para secar e despois malha-los co manlhe. Já ninguém fai caparotas para pilhar os ouriços. As castanhas agora venhem dos supermercados. Nom sabemos o que se lhe chamava um marco ou umha boleca, nem moito menos que as abrunhesas eram as màis sabedoras e que as carnizales davam mal a tona …. Já nom se fam as castanhas com nébeda ou fiuncho.
O derradeiro souto de castinheiros inxertados foi cortado nom hai moitos anos em Golám, na Alta de Soandres para fazer umha plantaçom de pinheiros. E por se fosse pouco, a doença da «tinta» está a rematar com esta árvore nobre que nos deu de comer e tamém agochos nos seus buratos a animais como o moucho.

Sen clasificar 22 Out 2011 04:54 p.m.

MEIGALHOS EM ERBOEDO

As superstiçóns, as crenças … sempre estiverom moi arraigadas no povo galego. Ninguém imaginaria umha Galiza sem a image da meiga.Nos tempos que nos toca viver, falar de meigas  sóanos o passado, a outros tempos. É possível que nas cidades esta mulher fosse trocada por videntes, botadoras de cartas … máis no rural, ainda que ja moi pouco, continuam a manter viva a presença da meiga. Moitos dos cultos e crenças pagáns, que muitas vezes misturam-se com o cristianismo, sobrevivem aínda hoje nas nossas aldeias. Algúns, como os que apareceram hai um ano, e este tamém, pola semana santa num cruze de caminhos da parroquia de Erboedo.
O ano passado apareceu umha galinha Preta (negra) cumha rolada de pitos  num cruze de caminhos. Este ano aparecerom sete ovos de galinha no mesmo cruzamento. Nom sei o motivo desses rituais, máis a galinha é um dos animais simbólicos do nosso folclore popular. Nom haverá povo na Galiza  no que nom haja umha lenda da galinha com pitos. Também tenho sentido falar que umha galinha negra da sorte. Os ovos acostumábanse a enterrar em terreos alheios, por quem nom quería bem a um vezinho, coa intençóm de que nom tivera boas colheitas.
Os tempos mudam, e é possível que moitos destes rituais, superstiçóns, tradiçóns … desapareçam, máis no imaginário mágico galego estará sempre presente a meiga.

Caióm 24 Set 2011 08:44 p.m.

A TARRAFA «LOZANO» DE CAIÓM (II)

Já hai algum tempo falei sobre a Tarrafa Lozano de Caióm. Morreram cinco marinheiros que iam durmindo na lancha auxiliar da tarrafa. Só se salvara um .. Uns eram de Baldaio e outros de Caióm. Atoparanos a todos menos a um. Despois de um tempo apareceram os óssos, mais nom se sabe bem se eram del.
Anos mais tarde esta tarrafa levou por diante na entrada do porto de Caióm umha lancha na que iam dous irmáns deste povo marinheiro e que só afogou um deles. O patróm da Lozano fora para a cárcere.
Esta e moitas outras histórias aínda se conservam na memória das gentes de Caióm. Histórias das gentes do mar, as vezes tristes como esta.

 ..um mar doce, mais as vezes bravo e duro como a vida.

Caióm &Património 07 Set 2011 08:05 p.m.

MILHADOIROS EM CAIOM

Umha das tradiçons mais antigas da nossa cultura, os milhadoiros de Caióm, já só se conservam nas lembranças dos mais velhos. De origem pré-histórico, estas medas de pedra seguiron-se fazendo até bem pouco. Os romeiros que iam os Milagres de Caiom por Corteo levavam umha pedra que colhíam no caminho ou num valado, e ao chegar no cruzamento que ia polo lugar do Outeiro a Capela, deixavam ali as pedras no Milhadoiro (que era umha meda de pedras) que estava  num terreo baldio. «Aí vam os romeiros com pedras para fazer umha casa a virge». Este culto pagam co que nom poiderom dous mil anos de cristianismo, rematou de fazer-se quando o vizinho do Outeiro, oTio Serafím,  pilhou o baldio e colheu  as pedras para fazer uns valos.
É preciso recuperar o nosso património cultural-material dos milhadoiros de Caiom. Aqui queda recolhida a memória dos máis velhos para quem queira preservar essa tradiçom (romeiros, associaçons, concelho …).

Natureza &Património 06 Set 2011 12:04 a.m.

A XARPE (a serpe)

Dentro de moi pouquinho tempo as histórias orais que se contavam na rural, só ficaram no esquecimento ou com moita sorte recolhidas em algúm livro. Histórias como a que ouvim umha ves na Cópia de Monte-Maor, que falava da Xarpe, umha Serpe grande que havia alí numha riveira. Quem mo contou, nom creio que sabia  que a serpe era um dos animais galegos máis mitificados, nem que nos nossos Fornos dos Mouros (dolmens) aparecem pinturas e gravuras de serpes. Já há 2600 anos umha tribo indo-europeia, os Saefes, chegaram à Galiza, e misturaram-se com as tribos galaicas. Os romanos chamavam-lhe os saefes (homes serpe), por ter como animal totémico a serpe, que representava para eles o seu deus e poder guerreiro. Em moitos castros galegos também aparecem petróglifos de serpentes, herança deste clam galaico.
Este animal foi totem para o nosso povo, embora a religióm católica se encarregou em «demonizala»e  a memória dos tempos se encarregou em achegárno-la até os nossos dias.Máis co que nom pode a religiòm  pode o despovoamento do rural e este mundo para lugar nengum.
Na cópia de Monte-Maor há umha riveira que se chama a Xarpe e  na que viveu umha serpe …

Caióm 22 Ago 2011 12:02 p.m.

A HISTORIA DE MINGOS DE CAIÓM

Escoitei esta velha historia, a de Mingos de Caióm, a Carlos Blanco,  e cóntoa tal a escoitei.

“Lugrís escribiu um conto, a historia de Mingos de Caióm, um marinheiro galego que viajava no Skagerrak. O barco afundiu, como puido agarrado a um madeiro chegou ata umha pequena ilha medio morto, aló  no Pacífico. Alí foi recolhido polos habitantes de aquela ilha, el e o seu acordeóm. Um acordeóm alemám que navegou canda el loitando pola vida. Mingos de Caióm chegou a aquel lugar e foi recibido coma um deus. Um deus que tocava o acordeóm. Aquela  gente pacífica e entranhable  acolheuno de tal maneira que chegou a casar coa filha do xefe. Aquel que chamabam   o home que leva na mam o arpóm. Mingos de Caióm era feliz, máis feliz nom se podía ser entre aquela gente marabilhosa e hospitalaria… e sem embargo o cae-la tardinha cada día, Mingos de Caióm colhía o seu acordeóm e cantava “Santo cristo de Fisterra”; cantava “A Virge da Barca en Mugía” e a máis bonita de todas a que di:

Minha nai  minha naicinha,

 coma minha nai ningumha,

que me quentou a carinha,

co calorinha da súa ”.

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